Thursday, April 02, 2009

You are stellar...

1 de Abril de 2009: primeiro dia do resto da nossa vida.

Stellar

Meet me in outerspace
We could spend the night, watch the earth come up
I've grown tired of that place, won't you come with me?
We could start again

How do you do it, make me feel like I do
How do you do it, it's better than I ever knew

Meet me in outerspace
I will hold you close,
If you're afraid of heights
I need you to see this place,
It might be the only way
That I can show you how it feels to be inside of you

How do you do it, make me feel like I do
How do you do it, it's better than I ever knew
How do you do it, make me feel like I do

You are stellar
You are stellar

How do you do it, make me feel like I do
How do you do it, it's better than I ever knew
How do you do it, make me feel like I do
How do you do it, make me feel like I do

Sunday, February 01, 2009

"Working on a dream" - nova música do Bruce





Faz hoje um ano que comecei a trabalhar na Faculdade de Motricidade Humana.



Um ano em que aprendi e ganhei muitas, muitas coisas novas. Mesmo que acabe, valeu a pena desde o início.



No GRE, convosco:

choro a rir

sinto-me em casa - sempre protegida

estou sempre a aprender (nem que seja apenas o significado de CMYK...) e tento retribuir

posso ouvir Amy ou John Mayer o dia inteiro

conheço novas expressões, palavras e cantores

dentro da pequenina que sou, cresci




E para retribuir estes últimos meses, só falta mesmo ter o belo do Relatório acabado. Hoje já dei mais uns passos.




Que isso não signifique obrigatoriamente fim - é o meu desejo.

Tuesday, November 04, 2008

The land of hopes and dreams

Esta madrugada vamos todos esperar boas notícias sobre aquela que já foi a "land of hopes and dreams". Para dar sorte, as palavras do grande Bruce.

BRUCE SPRINGSTEEN'S COMMENTS FROM THE STAGE AT CLEVELAND'S VOTE FOR CHANGE RALLY

November 2, 2008

Hello Cleveland. It's great to be here today among friends. I'd like to thank Senator Obama and his folks for inviting me. I've been here many times since 1973, but never on a day as glorious as this one. We are at the crossroads.
I've spent 35 years writing about America and its people. What does it mean to be an American? What are our duties, our responsibilities, our reasonable expectations when we live in a free society? I saw myself less as a partisan for any particular political party, than as an advocate for a set of ideas. Economic and social justice, America as a positive influence around the world. Truth, transparency and integrity in government. The right of every American to a job, a living wage, to be educated in a decent school, to a life filled with the dignity of work, promise, and the sanctity of home. These are the things that make a life, that build and define a society. These are the things we think of on the deepest level, when we refer to our freedoms. Today those freedoms have been damaged, and curtailed by eight years of a thoughtless, reckless, and morally adrift administration.
I spent most of my life as a musician measuring the distance between the American dream and American reality. For many Americans who are today losing their jobs, their homes, seeing their retirement funds disappear, who have no health care, or who have been abandoned in our inner cities, the distance between that dream and their reality has never been greater or more painful. I believe Senator Obama has taken the measure of that distance in his own life and work. I believe he understands in his heart the cost of that distance in blood and suffering in the lives of everyday Americans. I believe as president he would work to bring that dream back to life, and into the lives of many of our fellow Americans, who have justifiably lost faith in its meaning.
In my job, I travel around the world, and occasionally play in big stadiums, just like Senator Obama. I continue to find everywhere I go that America remains a repository for people's hopes and desires. That despite the terrible erosion of our standing around the world, for many we remain a house of dreams. One thousand George Bushes and one thousand Dick Cheneys will never be able to tear that house down. That is something only we can do, and we're not going to let that happen.
This administration will be leaving office, dumping in our laps the national tragedies of Katrina, Iraq, and our financial crisis. Our house of dreams has been abused, looted, and left in a terrible state of disrepair. It needs defending against those who would sell it down the river for power, influence or a quick buck. It needs strong arms, hearts and minds. It needs someone with Senator Obama's understanding, temperateness, deliberativeness, maturity, pragmatism, toughness and faith. But most of all it needs us. You and me. All a nation has that keeps it from coming apart is the social contract between its' citizens. Whatever grace God has deemed to impart to us resides in our connections with one another, in honoring the life, the hopes, the dreams, of the man or woman up the street, or across town. That's where we make our small claim upon heaven. In recent years that contract has been shredded and as we look around today, it is shredding before our eyes. But today we are at the crossroads.
I'm honored to be here on the same stage as Senator Obama. From the beginning, there has been something in Senator Obama that has called upon our better angels, I suspect, because he has had a life where he has so often had to call upon his. We're going to need all the angels we can get on the hard road ahead. Senator Obama helped us rebuild our house big enough for the dreams of all our citizens. For how well we accomplish this task will tell us what it means to be an American in the new century, what's at stake, and what it means to live in a free society. So I don't know about you, but I want my country back, I want my dream back, I want my America back. Now is the time to stand together with Barack Obama and Joe Biden and the millions of Americans that are hungry for a new day, roll up our sleeves and come on up for the rising.

Tuesday, October 07, 2008

London - Lovelyyy

Vencer a inércia e escrever. Só um bocadinho que seja, porque a vida é mais do que o que se passa das 9h às 5h e um pouco depois. E também porque acabei de passar uns diazitos em Londres (que bem que soa!) e me apetece espicaçar quem ainda lá não foi: vão!
Tudo ao contrário do que há muitos anos, quando era muito pequenina, imaginava da cidade. Já lá tinha estado em 2003, uma semana depois dos atentados, e logo aí os londrinos me surpreenderam - mas desta vez surpreenderam ainda mais. Toda a gente conhece o estilo "very polite", mas quando é acompanhado de sorrisos, piadas, boa disposição e gosto em ser prestável, aí têm os londrinos que fomos apanhando pelo caminho, tanto em 2003 como agora.
Enfim, gosto da cidade e das pessoas. Gosto muito da cidade.
Desafiem-me e acho que era o primeiro sítio fora de Portugal onde aceitaria viver. (Fora a chuva, parece-me perfeito.) Desde uns dos maiores museus do mundo (National Gallery, Royal Albert Hall, Museu de História Natural, etc.) quase todos à borliu, à proliferação de zonas verdes, à cultura que se inspira quando de repente se passa numa rua e se lê numa placa oval azul algo como "Charles Dickens viveu aqui de tantos a tantos", às livrarias com obras completas de grandes autores a 5libras, com calhamaços sobre Shakespeare a 10libras e com mega-dicionários a 15libras, às pessoas e ao seu "accent", ... Tudo. Ir para o parque ao fim do dia em vez de ir para casa... O hot chocolate!
Enfim, para primeira vez que volto a escrever em meses, parece-me que está na altura de parar.
Mas vão a Londres e depois digam se tenho ou não razão.

Monday, June 02, 2008

Raise your hands!





E foi quase assim que terminou a noite esperada pela "princesinha" há treze anos. Bon Jovi de camisola da selecção portuguesa a cantar a música mais desejada da noite aqui por esta menina: "Someday I'll be Saturday night". Porque quando eu era pequena e a minha irmã mais nova era mais pequena ainda, e eu ouvia "pouco" Bon Jovi, a irmã mais nova cantava alto e bom som aquilo que ouvia, o início desta música: "hé, men, áma lava, teikinitei, á, onamá...". (Leia-se: "Hey, man, I'm alive, Taking each day and night at a time"). Foi mesmo o momento mais forte do concerto quando, depois de pensar que já não ia ouvir o Jon cantar esse tão aguardado "hé men", ele voltou ao palco e ouço essas palavras.

Mas não foi só! Quando esperava que o Bon Jovi só desiludisse, afinal de contas já não vai para novo, ele superou todas as expectativas que eu pudesse ter criado ao longo de treze anos. Finalmente pude ver o concerto que perdi porque era pequenina e, como me disse o meu pai na altura, "também vai uma banda perigosa, os Van Halen" - acho que era isso mas se não for, perdoem esta falha na memória - "e por isso não podes ir, porque pode haver muita confusão". Essa noite, como a minha mãe me relembrou agora, passei-a deitada ao colo dela, muito triste porque esperava que o concerto passasse na televisão ou na rádio. E não passou. Esperei que tivesse havido porrada molho e batatada no concerto porque assim justificava-se eu não ter ido. Não houve. E também na altura os Bon Jovi foram os Bon Jovi.

Como não escrevia há muito tempo no blog, aproveitei agora para deixar umas palavras sobre o meu (com licença, é mesmo!) Jon Bon Jovi que demonstrou na sua pessoa o lema com que encheu o palco Mundo: LIVE WHEN I'M ALIVE, SLEEP WHEN I'M DEAD.

Digam o que disserem, gostem ou não, penso que todos admitirão que o senhor deu um grande espectáculo. Saltou, cantou e puxou pelo público como nunca pensei que fizesse. Um grande senhor, exactamente o mesmo (mas mais giro) pelo qual a "princesinha" era apaixonada.



E pensava eu que o "regresso ao passado" era só ficção. Eu voltei àquela noite há treze anos e vi os Bon Jovi em palco como teria visto na altura. Com uma ligeira diferença: agora sei o que as letras significam e sei cantá-las. Mas eu e as minhas irmãs ainda homenageamos esses tempos quando cantamos, sempre, e sem falta, "hé men áma lava" no início do "Someday I'll be Saturday night".


Que grande noite e que grande sorriso na cara desta menina de 10 anos.

Friday, January 18, 2008

Manifesto contra a barbaridade-estupidez-absoluta

Eu vou-lhes bater, a sério, eu vou-lhes bater.

Unbelievable.

Hoje - sim, hoje, dia 18 de Janeiro de 2007, século XXI - vinha de pé no autocarro quando entra uma senhora aí de uns 80 anos com um aparelho na perna e de muleta (canadiana). A senhora, que mal andava e ainda trazia uns saquinhos na mão, perguntou para os bancos da frente se alguém lhe dava lugar. Nos 6 bancos dessa fase inicial estavam sentadas 6 mulheres entre os 40 e 60 anos, máximo. Nenhuma delas com deficiência motora que se notasse. Nenhuma se levantou, todas abanaram a cabeça em sinal de recusa e duas delas (!!!) ainda tiveram o desplante de afirmar alto e bom som: "Não levanto, não" com o ar superior de matronas em descanso.

A senhora que mal se aguentava nas pernas lá foi o caminho das Amoreiras ao Rato (tudo a descer) agarrada a um poste, comigo e mais duas senhoras que a íamos amparando.

Só uma vez se ouviu, num quase-sussurro a frase "Já não há respeito", mas muito de passagem, a medo.

Atrás desta senhora vinha outra, mais ou menos da mesma idade, esta carregada de sacos. Escusado será dizer: ninguém lhe deu lugar. Enquanto descíamos a rua que vai dar ao Rato (D. João something), disse à senhora para pousar os sacos, para se poder agarrar melhor. Ela olhou para mim a sorrir e disse: "Não posso, senão esqueço-me cá deles."

E foi o suficiente para me partir o coração, depois de testemunhar todo aquele egoísmo em estado puro.

Gostava de ser um Eça para escrever um texto a desancar estas pessoas de alto a baixo, ou de ser maluquinha o suficiente para lhes berrar nas caras de saúde satisfeita o que mereciam ouvir. Gostava de poder ter feito mais alguma coisa. Então estou a escrever este texto. Porque aquelas senhoritas ali sentadas são aquelas que nos pedem lugar e nos berram "Esta juventude de hoje! Já não há respeito nenhum pelos mais velhos!" Quais mais velhos? Pelos velhos de corpo mas não de alma (como as duas senhoras a quem não dão lugar) tenho o máximo dos respeitos, amparo-as e ajudá-las-ia mais se puder e sempre que puder. Mas não por essas que têm a mania que são velhas só para recolherem de todos nós a compaixão de que se alimentam, a acompanhar a fofoquice e a metedice-na-vida-dos-outros.

Não escrevo mais, acho que já disse o que queria dizer. Só que com duas horas e meia de atraso.

Friday, December 14, 2007

Arrepios e Ruy Belo

Oh as casas as casas as casas
as casas nascem vivem e morrem
Enquanto vivas distinguem-se umas das outras
distinguem-se designadamente pelo cheiro
variam até de sala pra sala
As casas que eu fazia em pequeno
onde estarei eu hoje em pequeno?
Onde estarei aliás eu dos versos daqui a pouco?
Terei eu casa onde reter tudo isto
ou serei sempre somente esta instabilidade?
As casas essas parecem estáveis
mas são tão frágeis as pobres casas
Oh as casas as casas as casas
mudas testemunhas da vida
elas morrem não só ao ser demolidas
elas morrem com a morte das pessoas
As casas de fora olham-nos pelas janelas
Não sabem nada de casas os construtores
os senhorios os procuradores
Os ricos vivem nos seus palácios
mas a casa dos pobres é todo o mundo
os pobres sim têm o conhecimento das casas
os pobres esses conhecem tudo
Eu amei as casas os recantos das casas
Visitei casas apalpei casas
Só as casas explicam que exista
uma palavra como intimidade
Sem casas não haveria ruas
as ruas onde passamos pelos outros
mas passamos principalmente por nós
Na casa nasci e hei-de morrer
na casa sofri convivi amei
na casa atravessei as estações
respirei - ó vida simples problema de respiração
Oh as casas as casas as casas


Ruy Belo, Todos os poemas, Lisboa, Assírio e Alvim, 2000, p.212

Para quê teorizar quando um poema destes se basta a si mesmo?
Só os arrepios que quase tudo o que este poeta escreveu me causa já bastam.
Silêncio.