Thursday, February 22, 2007

O que são as vertigens?

Essencialmente para a Dalila, que neste momento enfrenta esta fase, antes de mim.
















Milan Kundera tem a sua teoria, em A Insustentável Leveza do Ser:


É natural que quem quer "elevar-se" sempre mais, um dia, acabe por ter vertigens. O que são vertigens? Medo de cair? Mas então porque é que temos vertigens num miradoiro protegido com um parapeito? As vertigens não são o medo de cair. É a voz do vazio por debaixo de nós que nos enfeitiça e atrai, o desejo de cair do qual, logo a seguir, nos protegemos com pavor.

Faz sentido, não faz? Tanto para as vertigens físicas como para as vertigens, digamos, "psicológicas". Aquelas que se sentem em momentos de mudança, como aquele pelo qual começo agora a passar, esta fase em que abandonamos o mundo que conhemos há anos sem conta (no meu caso, 20) e de entrarmos, meio abandonados, nesse mundo "aterrador" que é o do trabalho, e o das responsabilidades sérias. O que sinto (e que sei que muitas mais pessoas que já passaram e hoje passam por esta fase também sentem) é precisamente aquilo que Kundera passou a escrito: é o medo do desconhecido, mas um inevitável impulso para a frente, ao mesmo tempo.



E o que fazer? O que fazer senão dar esse passo em frente? Enfrentem-se as vertigens. Mas não quero deixar de estudar, de ser incitada a pensar, nunca. Acho que esse é o meu medo principal. Como é que se corta com um hábito de 16 anos? No meu caso, acho que não se corta. Se tudo correr como espero, não se corta. Mas o passo em frente tem de ser dado, as vertigens têm de ser enfrentadas, ou o medo que por trás delas se esconde.


Para todos aqueles que este ano enfrentam estas vertigens, o meu apelo está feito. Porque o desconhecido pode ser positivo, e será, porque será resultado do nosso empenho.
E, no meu caso, sábado constituirá já um passo em frente.

5 comments:

Jay Dee said...

O meu momento literário=)

Adoro-te e adorei vê-lo escrito na minha fitinha.

Obrigada por tudo

Patricia said...

quem não tem coragem não tem medo. e tu sim, és uma mulher corajosa. Por isso o medo só faz parte, não domina, não impede. Arriscar sempre, andar para a frente, sem olhar para trás, porque o mundo espera por nós, há que "saltar" e acreditar. beijinhos linda Ana.

Anonymous said...

Pois é minha mana linda! Sábado vais dar o teu primeiro passo no caminho da tua nova profissão ;) E quem melhor do que esta tua mana para te empurrar, hein, diz lá q não é verdade :) Mas essas vertigens até são saudavéis se não mumificarmos de pavor... Tadoro minha mana corajosa! E eu estou aqui... =D

Anonymous said...

Ahhhh e esqueci-me de dizer que esta imagem lindaaa é o mágico do Uluru e... que abismo! E com o pormenor da lua ali ainda fica mais lindo - desconfio que foi uma certa e determinada pessoa a tirar, assim daquelas pessoinhas q tira a tudo e + alguma coisa e q depois toda a gente goza... sim: eu! Mas se não fosse isso não tinhamos estas fotos lindaaasss (das 2500...) =D

teresa said...

oi!

espero q tenha corrido todo bem naquele sabado..

realmente nunca tinha pensado no medo que sinto nesta nova fase da minha (e da vossa) vida como vertigens. mas tens razão. temos de enfrentar esse medo e ultrapassa-lo, porque, afinal, foi para esta parte da nossa vida que trabalhamos nos ultimos anos..

enfim.. embora ja um pouco atrasada, também queria deixar aqui o meu desejo de que todas as pessoas que agora se deparam com estas vertigens, as saibam confrontar e... que corra tudo bem!!