Lídia (...) então já não sabe se chora pelos mortos de Badajoz, se por esta morte sua que é sentir-se nada. (...) Vai a pensar, Não volto mais, mas a certeza não tem.
José Saramago, O ano da morte de Ricardo Reis
Há momentos de textos em que de repente paramos, porque nos vemos representados nessa passagem. Reconhecemos uma parte de nós nessa passagem. De vez em quando revejo-me nesta. Como Rembrandt no seu auto-retrato ao espelho, sinto-me sobressaltada ao ver uma representação minha. Não é estranho revermo-nos na criação de um artista? E é isso que é a arte, representação do real, dando-lhe sempre novas e diferentes formas.
Pois este excerto do romance do Saramago sou eu, por vezes.
1 comment:
ainda no outro dia falámos sobre isso, sobre o reconhecer de nós em algo. às vezes isso assustam-me.muito mesmo
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